quinta-feira, 5 de março de 2009

O conto do valente.

Lá vai Damião...
Com seu gingado inconfundível.
Sujeito à toda prova,malandro temível.
Cantando modinhas,todo moleirão.
Foi assim que nasceu a lenda de um valentão.

Capadócio por excelência.
Para muitos uma referência,
De uma estranha cadência.
Nomeada por ele mesmo como ciência.

Mestre da negaça,
Exibida na praça.
Costume regado a boa cachaça.

Sujeito galanteador,
Canta fados de amor.
Célebre repentista da praia do arpoador.

Sempre bem trajado.
Paletó alinhado,
Em combinação com o calçado.
Mesmo em peleja,conserva-se imaculado.

Patuá de Exú que proteja,
O filho de escrava,que fugiu da igreja.
Faltava a catequese,para namorar a criada dos lábios de cereja.

domingo, 1 de março de 2009

Dissensão.


O iconoclasta que beijou a santa,
É sambista que não canta,
Passeante do viveiro sem planta.
Suicida que ama a vida,
Flagelado sem ferida,
A celebridade desconhecida.
Patrão desempregado,
Sem nunca ter trabalhado,
Tagarela acanhado...
Um herege canonizado.
Uma virgem matriarca,
Senhora da comarca,
Anarquista com título de monarca.
Pintora que odeia tela,
Reclusa fora da cela,
Toma à fresca na janela...